sexta-feira, dezembro 31, 2004

Portugal colonial

A revista espanhola “La Aventura de la Historia” do último Novembro traz, a propósito dos 120 anos do início da Conferência de Berlim - que estabeleceu as regras da colonização africana -, um dossier dedicado a África. Um dos artigos do dossier, escrito por Donato Ndongo, jornalista e autor do livro História e Tragédia de Guiné Equatorial, fala dos diferentes modelos de colonização das potências europeias. Achei que o texto tinha a sua curiosidade sobretudo porque fala, de uma forma breve é certo, de Portugal.
O autor considera que houve dois modelos de colonização:
- o britânico, que se baseava num “desenvolvimento separado”, «de cuja prática nasceram os regimes racistas da África do Sul e da Rodésia», em que os «europeus dirigiam todos os aspectos da vida económica, política e social, enquanto os africanos estava destinados a ser apenas mão-de-obra»;
- e o francês, que procurava levar os africanos a assimilar «os valores culturais, políticos, económicos e sociais da metrópole», pretendendo sobretudo colonizar «as mentes dos africanos, para lograr uma unidade política e cultural com a França metropolitana.»
Portugal seguiu o último modelo, mas acentuou-o. «A particularidade do Império português consistiu em fomentar nos seus territórios uma verdadeira mestiçagem racial, que, aliás, o levou a abolir todos os nomes africanos e a substituí-los por nomes portugueses.»
Nada de novo, como se pode verificar, o que é curioso é que o autor confirma as opiniões do senso comum de que Portugal foi o menos segregacionista dos países colonizadores. Eu sempre achei que estas ideias tinham mais que ver com o nosso patriotismo bacoco. Seja como for, isto não nos faz melhor que os outros, mas apenas mais porreiraços.


quinta-feira, dezembro 30, 2004

Bangladesh

O Fernando Vilarinho tem uma certa obsessão por dados estatísticos, mas desta vez passou-me uma informação verdadeiramente impressionante. O Bangladesh, que tem cerca de 155% do tamanho de Portugal, e é 128 vezes mais pequeno que a Rússia, vai ultrapassar este país em habitantes já em Janeiro de 2005. Com um território equivalente a Portugal mais a Galiza tem cerca de 142 milhões de habitantes!!

Nota (01/01/2005): O Vilarinho deixou nos comentários deste post este link sobre a evolução da população mundial.


e este sobre a crise demográfica que afecta a Espanha

quarta-feira, dezembro 29, 2004

valter

Na edição de hoje, o Diário de Notícias (pág. 33) destaca o nosso reino, do nosso valter hugo mãe como uma dos melhores obras de ficção portuguesa do ano. Para quem não conseguir comprar o jornal, fica aqui o texto, de Maria Augusta Silva:
"No plano criativo e da qualidade de escrita, 2004 recentrou, de certo modo, a ficção nacional. Desde logo com o nosso reino, de valter hugo mãe (Temas e Debates), o primeiro romance do poeta - uma claridade do imaginário; um modo genial de abordar os credos e os medos das almas sempre em busca da salvação. Outros grandes momentos literários com Eu Hei-de Amar Uma Pedra, de António Lobo Antunes, uma ficção singular; Gémeos, de Mário Cláudio, O Anjo da Tempestade, de Nuno Júdice (três obras da Dom Quixote). Ainda: Por Detrás da Magnólia, de Vasco Graça Moura (Quetzal) e Amar Não Acaba, de Frederico Lourenço (Cotovia)."
Quem quiser felicitar o Valter pode ir ao site ou ao blog dele. Parabéns.

Deus e os ateus - II

A tragédia no Índico não vem demonstrar a inexistência de Deus, mas (se tal fosse necessário) a fragilidade do Homem, o absurdo do antropocentrismo, da ideia - tão cara ao Humanismo Renascentista - de que o Homem é a medida de todas as coisas. Há muito mais mundo para além daquele que podemos ver; há muito mais explicações para além das que a Razão alcança.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

É só fumo

É impressão minha, ou há cada vez mais gente a fumar? De momento é praticamente impossível sair em Braga para qualquer sítio fechado sem apanhar com um denso nevoeiro que irrita-me a garganta e os olhos e faz-me chegar a casa com os cabelos e a roupa a cheirar mal. Sou eu que estou mais sensível ou realmente fumar está altamente na moda?
Inclino-me mais para a segunda hipótese e até avanço uma explicação. A recente obrigação de imprimir mensagens ameaçadoras nos maços de tabaco teve justamente o efeito que eu e mais alguns pensávamos que iria ter: há mais miúdos a fumar. Então, estavam à espera de quê? Todo o risco e a adrenalina associados a actividades caríssimas como o bungee-jumping ou rally num objecto barato e portátil? É claro que a malta toda quer é fumar...
A minha sugestão é mais barata e com resultados garantidamente melhores: tirem umas fotos com o Marco Paulo, o Bibi, o Animal e o Paulo Portas a fumar, ponham-nas num outdoors e removam as frases escabrosas dos maços. O fruto proibido foi sempre o mais apetecido.
Mas por amor de Deus, não ponham aquelas imagens dos maços. Aí é que eu nem à rua posso sair.

Deus e os ateus

É curioso, na hora da desgraça, os ateus indignam-se com Deus. vejam aqui e aqui. Não faz sentido, desacreditar da Sua existência e depois virar-se contra Ele nos maus momentos. Lembrar-se d'Ele, até. Na minha opinião, não o fazem por provocação, mas por religião. Não querendo dizer que têm fé, mas perplexidades metafísicas.


quarta-feira, dezembro 22, 2004

As alternativas

A previsibilidade dos resultados eleitorais em Portugal não é um aspecto negativo por si só. Na verdade, o mesmo acontece em quase todos os países desenvolvidos da Europa, como a Alemanha, a Espanha ou o Reino Unido (neste caso a situação é ainda mais monótona). Os exemplos europeus que contrariam esta tendência não são assim tão positivos como isso, e normalmente derivam do aparecimento de partidos de extrema-direita, como na Holanda e em Itália. O problema português portanto é outro, está relacionado com a deterioração da classe política, sobretudo nos partidos de poder. Compreendo portanto a frustração do Alexandre, acho que perante os fracassos dos governos socialistas e sociais-democratas seria natural que os portugueses castigassem estes partidos e distribuíssem os votos de uma outra forma. Acontece que não surgem alternativas ao PSD e ao PS. Como sou de esquerda, cinjo-me a esta área e dispenso-me de falar da situação da direita em Portugal.
Vejamos, temos o PS, colocado moderadamente à esquerda. E depois temos a milhas de distância dois partidos colocados numa posição radical à esquerda (refiro-me aos que têm assento parlamentar, mas as coisas não mudam com os outros que proliferam pelo país): o PCP (com ou sem Os Verdes), completamente caduco, que pegou de estaca no Marxismo-Leninismo, seja lá o que isto significa nos dias de hoje; e o BE, que resultou duma miscelânea de pequenos partidos de extrema-esquerda e aí se posicionou, anticlerical, anti-europeu, anticapital, num discurso populista que afugentaria todos os investidores, nacionais ou internacionais (nunca considerei muito correcta a sua denominação, julgo que justamente deveria mudar para BEE – Bloco de Extrema-Esquerda). Quem for de esquerda e se recusar a dar o seu voto a um partido extremado, sobretudo se este for contra a Europa, não tem alternativas. Ou se abstém ou vota nos socialistas. Eu prefiro a segunda hipótese para evitar que a direita se mantenha no poder. Acredito que seja bonito dizer que entre o PS e o PSD não há grandes diferenças, mas a verdade é que há, sobretudo ao nível das medidas de apoio social e cultural. Sobre isto haveremos de falar muito ao longo desta campanha eleitoral.


terça-feira, dezembro 21, 2004

Até já me dá o sono

Ao contrário do Mário, que já está todo entusiasmado com as eleições, penso que existem poucas coisas mais previsíveis em Portugal que os resultados das legislativas. Vamos ver os resultados das 3 últimas:
2002 - PSD 40,2%; PS 37,8%; PP 8,7%; CDU 6,9%; BE 2,7%
1999 - PS 44,1%; PSD 32,3%; CDU 9%; PP 8,3%; BE 2,4%
1995 - PS 43,8%; PSD 34,1%; PP 9,1%; CDU 8,6%
Parece que existe alguma alternância, não é? Mas somemos os resultados dos maiores e dos menores partidos:
2002 - PSD+PS - 78%; PP+CDU+BE - 18,3%
1999 - PSD+PS - 76,4%; PP+CDU+BE - 19,7%
1995 - PSD+PS - 77,9%; PP+CDU - 17,7%
Conclui-se que cerca de 65% dos eleitores votam sempre no PS ou no PSD (sabe lá Deus por que motivo), repartidos mais ou menos igualitariamente. E depois cerca de 20% votam nos outros partidos menores. Os outros 15% andam a flutuar entre o PS e o PSD, utilizando critérios muito simples: quem é que está no governo? a gasolina/comida/desemprego/corrupção aumentou? então voto no outro.
A partir deste quadro façam as vossas projecções de resultados. Garanto que acertam.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

A campanha do Partido Socialista

A campanha do Partido Socialista tem apostado na minha opinião num equívoco. O Sócrates parece que anda numa marcha triunfal pelo país, de aclamação em aclamação, cheio de sorrisos e cumprimentos, a ser abraçado por entre a multidão, que o aplaude e ovaciona, em delírio. Como se a vitória já fosse garantida. Ora, isso dá ideia de arrogância o que não é do agrado dos portugueses. Além disso, eles pensam que enganam as pessoas, escolhendo lugares exíguos para parecer que estão a abarrotar de gente. Mas não conseguem, o truque tem barbas, e o PSD, e o CDS-PP, e o PCP, e o BE, todos vão fazer o mesmo. Não é difícil de arranjar uns gatos-pingados para encher pavilhões e salões.
Para piorar as coisas Sócrates não diz nada. Passa o tempo todo a pedir a maioria absoluta e a criticar a coligação. É certo que o projecto do PS ainda está na forja, mas será que ele não tem ideias nenhumas?

Os socialistas que se cuidem, Santana Lopes é uma fera em campanha, e, como dizia José Manuel Fernandes há uns dias no Público, tem uma capacidade incrível de apanhar as migalhas que outros deixam cair. Qualquer pormenor, qualquer pequeno erro serve para ganhar pontos, e não vale a pena queixarem-se de que ele apenas se vitimiza porque para Santana tudo é permitido. Para o derrotar o melhor é usar outras armas. Até agora Sócrates só se tem movido em áreas onde Santana se sente melhor.

Se Sócrates apostar em discursos grandiloquentes, o Santana ganha;
se Sócrates apostar na crítica demagógica fácil, o Santana ganha;
se Sócrates apostar na clarificação do projecto político dos socialistas e na apresentação de ideias concretas para país, Santana perde porque não consegue acompanhar.


quinta-feira, dezembro 16, 2004

Quinto Império – Ontem como Hoje

Nunca fui um grande admirador da obra de Manoel de Oliveira. Aquela ideia de cinema teatral não me agrada muito. Os planos únicos, a câmara parada, as figuras estáticas, as falas declamadas, as palavras excessivas, sempre me pareceram pouco adequadas para a sétima arte. Mas a verdade é que Manoel de Oliveira tem um trabalho de inegável qualidade, e é muito bom no estilo de filmes que faz, há obras até que considero mesmo excepcionais, como «O Meu Caso» e «A Divina Comédia» (de realçar que não conheço a filmografia dele por completo).
Ontem fui à antestreia do «Quinto Império – Ontem como Hoje» e confesso que na primeira hora estava a achar incrível: uma iconografia sombria – com ambientes de penumbra e corpos semi-ocultos -, planos muito bem escolhidos, um texto riquíssimo (baseado no El-rei Sebastião de José Régio), e personagens muito densas, trabalhadas por um elenco de luxo. O problema do filme foi que a partir de certa altura começou a maçar, a prolongar-se nas mesmas coisas, a perder vigor. No início da sessão, o realizador disse-nos meio a brincar que se não gostássemos da obra que a culpa seria de D. Sebastião ou dos actores. E eu acho que ele terá em parte razão, D. Sebastião é o grande culpado - o actor, entenda-se (peço desculpa, mas não sei o seu nome), que apresenta muitas deficiências, bem notórias na segunda parte do filme, quando este vai adquirindo uma tensão crescente. O Desejado, que deveria ser uma figura enigmática, perturbada, hesitante, abalada por alterações de estados de alma constantes - e que por isso se exigia que fosse representado por alguém com maior destreza -, acaba por ficar muito mal caracterizado. Ao falhar na personagem principal, que está presente na tela de princípio ao fim, tornando-a monótona e em certos momentos ridícula – sobretudo quando o actor solta gritos e risos constrangedores -, o filme acaba por não conseguir alcançar intensidade e aborrecer.
É algo que tenho dificuldade em entender; que o realizador, apostando muito na capacidade de dramatização dos actores, e escolhendo notáveis como Luís Miguel Cintra, Ruy de Carvalho, Glória de Matos e muitos outros, para personagens secundárias, tenha optado por um actor limitado para fazer a personagem principal.
Seja como for, aconselho vivamente, porque tem coisas muito boas.


Paulo Portas em acção

A entrevista de Paulo Portas foi já um sinal do que poderá ser a campanha eleitoral do CDS-PP. Ainda há dois dias eram só sorrisos e cumprimentos, simpatias e cumplicidades, e bastou o líder centrista libertar-se de Santana por um dia para começar a dizer aquilo que há muito se esperava:
O Presidente da República fez mal em dissolver o Parlamento, sim senhor, mas foram dados pretextos para esta decisão e houve coisas que não correram bem (por responsabilidade dos sociais-democratas, entenda-se).
Há um acordo final para uma coligação pós-eleitoral, sim senhor, mas desde já fica dito que as pessoas de centro-direita têm de ser mais disciplinadas.

Toda a gente sabe que as coisas não vão melhorar daqui em diante, há um eleitorado de cerca de 5% a disputar, e Portas não é pessoa de meias-medidas.
Entretanto, ficamos à espera da resposta de Santana, para atiçar ainda mais a fogueira.

Da entrevista, ficou claro que foi o PP que não quis ir a votos coligado. Ao que o PSD chegou!


quarta-feira, dezembro 15, 2004

valter hugo mãe

Lembro-me bem, ainda a Quasi estava na sua fase inicial, da forma entusiasmada como o valter me falava da editora, dos primeiros livros, dos primeiros autores, do orgulho em editar alguns dos poetas que ele mais amava, o Ramos Rosa, a Fiama Hasse Pais Brandão, o Manoel de Barros, o Jorge Melícias, o Daniel Maia-Pinto Rodrigues, o Jorge de Sousa Braga, entre muitos outros, da alegria de estrear autores, como o Rui Cóias e a Ana Paula Inácio. Durante anos fui acompanhando o trabalho da editora nas conversas de fim-de-semana no «Pátio», em Vila do Conde, testemunhando o trabalho conjunto com Jorge Reis-Sá de construir esta casa de livros. Quando há dois anos o valter me convidou para trabalhar com ele estava longe de imaginar que iria ter uma experiência profissional tão estimulante. Pelos livros, como é óbvio, a Poesia do Daniel Faria, antes de mais, o Kafka, o Beckett, o Luxúria Canibal, os Mão Morta, o Lautrèamont. Pelo ambiente extraordinário. E pela cumplicidade na criação literária; o valter tem o dom incrível da literatura oral, parece uma versão contemporânea dos aedos da Grécia Antiga, esses poetas itinerantes que narravam de memória e em verso as aventuras e mitologias gregas. Nunca me esquecerei do dia em que apareceu a dizer que estava a escrever o nosso reino, e me começar a narrar o romance, como se estivesse com as páginas estampadas na cabeça, e a contar-me do miúdo que queria ser santo, porque os santos são as pessoas mais próximas de deus, do homem mais triste do mundo, acompanhado do cão, a transportar as almas dos defuntos, da crueldade do carlos e as suas histórias surrealistas sobre áfrica. Durante duas semanas, ouvi-o por episódios a falar-me de estas e muitas outras personagens, todos os dias à espera de saber mais. Estou plenamente convencido de que este livro é uma obra-prima, e tenho uma inegável vaidade por ele mo ter dedicado. Depois foram surgindo outros romances, mas sobre isso não poderei falar.
Hoje é o primeiro dia em que valter não está na Quasi, eu sei que nada vai ser como dantes, que muito do encanto da editora se vai perder, mas a vida é assim mesmo, outros projectos lhe estão destinados. Continuarei a encontrá-lo aos fins-de-semana em Vila do Conde, no «Pátio», ou em outro lugar. Sei também que o poderei visitar na casa de osso, acolhimento das coisas perfeitas, poetas sublimes, músicos geniais, pintores arrebatados, histórias secretas, mundos encantados, ilustrações quotidianas.


segunda-feira, dezembro 13, 2004

Enfim...

"Eu não voto... são todos corruptos." - foi com esta anormalidade que uma colega de trabalho definiu a sua visão da política nacional quando lhe perguntei o que é que achava da dissolução do parlamento. A boçalidade da afirmação é tão óbvia que fiquei sem argumentos... comecei a falar do tempo.
Mas também, de que é que eu estava a espera? Quando os dois partidos que reúnem mais de 80% das intenções de voto quase não se distinguem; novidade é palavra riscada do dicionário político português; e os que se alinham agora para ocupar o poder foram corridos à pedrada há menos de 3 anos...
P.S. Só em jeito de apresentação: chamo-me Alexandre; para mim a doença mais mortal do século XX foi a apatia; por vezes esqueço-me de ser politicamente correcto; já me foi dito que a subtileza não é a uma das minhas qualidades.

domingo, dezembro 12, 2004

Novo membro

A partir de hoje, o Alexandre Mano passa a ser membro do Rotação Difusa. Estimulado pelo debate sobre a ida do Homem à lua, resolvi convidá-lo a colaborar comigo. O objectivo é tornar este blogue ainda mais difuso, já que o Alexandre tem, em muitos aspectos, ideias muito diferentes das minhas.
Julgo que podemos ter aqui discussões interessantes, sobretudo agora que o Presidente convocou eleições antecipadas.


sábado, dezembro 11, 2004

A propósito da mensagem de dissolução

Ao contrário do que temia, o Presidente da República foi claro na justificação da dissolução do Parlamento. Nesta parte da mensagem ele diz tudo que havia para dizer: «o país assistiu a uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o país vive. Refiro-me a sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral.» Mais do que isso seria sadismo.

Aqueles que dizem que o PR o que queria era dar corda a Santana Lopes para este se enforcar no fundo estão a elaborar o seguinte raciocínio: «Santana é incapaz; Sampaio sabia que ele é incapaz; por isso deu-lhe a oportunidade de ser primeiro-ministro para demonstrar que ele é incapaz».

Pelos vistos os dois partidos da coligação vão a eleições separados. Óptimo, vai ter de haver lavagem de roupa suja. Ou muito me engano, ou durante a campanha vamos perceber ainda melhor a posição do PR.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

#$#$#$#

Quem realmente quiser ser feliz, tem de passar pelo Dicas práticas... prá vida de hoje.

A fraude do século? - 3

Resolvi responder ao texto do Alexandre Mano colocado no post A fraude do século? - 2. Não estou tão informado como ele mas penso que existem alguns pontos fracos na sua argumentação.
Em primeiro lugar, acho impossível que a missão de Apolo 11 tenha sido uma fraude (o Alexandre não diz isso mas coloca a hipótese de). É preciso lembrar que estávamos em plena guerra-fria, em que a competição entre russos e americanos pela conquista do espaço era muito grande. Aceito que a ida à Lua pelo Homem não fosse de grande interesse científico, mas a verdade é que em termos de propaganda (como ele refere) era fulcral, e não estou a ver os russos a fazerem um acordo tácito. Se a ideia era acabar com os gastos inúteis então por que razão haveriam de ser os americanos a ficar com os louros da vitória? Por outro lado, continuo na minha, a comunidade científica haveria de se manifestar mais cedo ou mais tarde. Esta viagem é um dos maiores feitos da história da Humanidade, comparável às viagens de Colombo ou de Vasco da Gama. Não é possível que se possa construir um embuste desta dimensão impunemente. Os cientistas não formam uma comunidade coesa e homogénea, existem fortes antagonismos e competição muito acesa no seu seio. Muitos deles provavelmente odeiam os americanos e estariam muito felizes se pudessem mostrar que a viagem não existiu. O exemplo do relatório de Colin Powell joga a favor de mim e não contra. Provou-se que as provas de destruição maciça eram falsas. Foi a comunidade científica que o fez. Quanto a história do Pentágono não sabia que estava provada, por isso calo-me.
Quanto à questão das fotografias repito os meus argumentos. É espantoso que queiram elaborar uma fraude e se cometam tantas asneiras. Se os cientistas da NASA estavam fartos de saber que não há vento lunar, por que razão haveriam de pôr a bandeira a agitar-se? Aqui não vale o argumento de que as anomalias foram detectadas por software recente. O mesmo se poderia dizer da questão das pegadas, ou da penumbra, etc.

terça-feira, dezembro 07, 2004

A fraude do século? - 2

O meu blogue anda meio biruta hoje (espero que seja só hoje). O Alexandre Mano tentou colocar um comentário ao meu post A fraude do século? e não conseguiu. Por isso resolveu enviar-mo por mail. Como texto é muito bom e muito elucidativo (embora não concorde completamente com o que diz) entendi por bem fazer um post com ele. Espero que o Alexandre não se importe.
«O tema da fraude na viagem da Lua não é novo, nem sequer recente. Quando ouvi pela primeira vez falar disso (há uns 2 anos) estive a pesquisar alguma informação e cheguei a algumas conclusões.
Estás completamente enganado. Explico:
1 - Tal como o moço que escreveu o livro e a maior parte dos sites que contém material sobre a fraude da ida à Lua, estás a incorrer num erro: não existem provas que a missão Apolo 11 foi uma fraude; existem é evidências que as fotografias da missão foram retocadas ou forjadas. Para isso podes consultar diversas fontes; uma das mais detalhadas é
http://www.ufos-aliens.co.uk/cosmicapollo.html .
Quando perguntas pela comunidade científica não estás a pensar bem: as fotos não têm qualquer interesse científico, assim como a própria viagem à Lua terá pouco. As pessoas tendem a esquecer que a missão que supostamente levou os astronautas à Lua chamava-se Apolo ONZE. Já várias naves não-tripuladas americanas e soviéticas tinham poisado na Lua e recolhido material e dados para estudo. O principal objectivo da missão Apolo 11 era a propaganda.
Os soviéticos não foram comidos. Em primeiro lugar, era-lhes impossível provar que a missão era uma aldrabice. Como é óbvio, todos os materiais e dados científicos que os americanos pudessem mostrar são realmente lunares e podem ter sido recolhidos por missões anteriores. Depois, os soviéticos devem ter ficado aliviados quando a corrida à Lua terminou. Se leres qualquer coisa sobre isto, vais verificar que estas missões eram um verdadeiro sorvedouro de dinheiro, sem fim à vista e muitas vezes sem resultados práticos. Até imagino que pode ter havido um acordo tácito: os americanos (que estariam mais perto de ter sucesso) ganhavam a corrida, partilhavam os "dados científicos" e acabava o gasto inútil de dinheiro.
Voltando à comunidade científica, vejamos dois exemplos recentes: o relatório do Colin Powell na ONU sobre as armas de destruição maciça no Iraque era uma aldrabice pegada; existem provas concludentes que no 11 de Setembro o Pentágono não foi atingido por um avião. Estás a ver a comunidade científica a dizer alguma coisa? Eu não vejo nada.
O meu argumento não é que o homem não poisou na Lua. Apenas argumento que a fraude é possível.
2 - A maior parte das anomalias descobertas nas fotografias só podem ser verificadas se as mesmas forem ampliadas com o recurso a software especializado. É óbvio que em 1969 isto seria impossível. Como expliquei acima, as fotografias por si só não constituíam material de interesse científico. Foram apenas enviadas e publicadas em jornais e revistas, e nunca a NASA cedeu os negativos. E mesmo as que foram cedidas foram seleccionadas pela NASA. Por isso, apenas quando as fotografias foram colocadas num site (
http://www.apolloarchive.com/apollo_gallery.html) puderam ser analisadas. Um dos factores que mais me surpreende é a qualidade das fotografias tiradas na Lua. Se reparares, tem mais qualidade que aquelas tiradas na Terra!
Sobram, portanto, poucas dúvidas que as fotos não são autênticas.
3 - Quem se lembra do desastre da Challenger, em 1987, sabe que este incidente custou biliões de dólares e atrasou em vários anos o programa espacial americano. Sem me alongar muito, a previsão em 87 era que até o final do milénio teríamos uma missão tripulada à Marte. Depois do acidente, ficou programada para 2020.
Imagina agora se isto tem acontecido com a Apolo 11. Se os astronautas tivessem morrido e a missão fosse um fracasso seria uma perda monumental. Agora pensa se valeria a pena correr esse risco. Ainda mais com os soviéticos mesmo ali prontinhos para fazer o mesmo se eles falhassem.
Pensando bem, o risco de organizar uma fraude e pô-la em acção seria bem menor (e infinitamente mais barato) do que tentar realmente chegar à Lua.
Na minha opinião, existe uma fraude clara: as fotografias. Não sei, nem é possível provar se a missão Apolo 11 foi ou não uma fraude. Uma coisa é certa: ao contrário daquilo que dizes, é um assunto de jeito e até com muito mais interesse que a pureza da língua portuguesa


A língua portuguesa

Agora um assunto de jeito. A propósito das questões da pureza da nossa língua, vale bem a pena ler o artigo "Os hipocondríacos da língua portuguesa", de Rui Tavares do Barnabé.

A fraude do século?

Nem sei bem porque me dou ao trabalho de falar sobre isto. Há uns dias enviaram-me por mail o link de um site brasileiro chamado A Fraude do Século, que apresenta um conjunto de pretensas provas de que a transmissão da chegada do homem à Lua foi uma montagem. Problemas como a diversidade da direcção das sombras, a desproporcionalidade do tamanho da terra, o aparecimento da penumbra na roupa dos astronautas (inconcebível pela inexistência de atmosfera), a agitação da bandeira dos EUA pelo vento (ausente na Lua), ou ainda as pegadas impossíveis por falta de humidade, aparecem como evidências dessa montagem.
Admito que fiquei um pouco confuso. Sobretudo porque não tenho conhecimentos técnicos que me possibilitem ter opinião segura sobre o assunto. Contudo, nestas questões tendo a acreditar no poder crítico da ciência. As grandes descobertas e conquistas científico-tecnológicas passam sempre por um processo de averiguação muito apertado que torna quase impossível elaborar embustes impunemente. A questão é esta: se as provas são assim tão irrefutáveis - se fosse tão claro que na Lua não é possível formarem-se pegadas, que as bandeiras se agitem, ou ainda que haja penumbra - como é que a fraude ainda não foi desmascarada pela comunidade científica, a mais exigente e competitiva das comunidades? A que nos permitiu os avanços mais extraordinários nos últimos duzentos anos?

Mas há ainda outras questões: os americanos serão assim tão estúpidos para nos montar uma ida à Lua cheia de problemas técnicos? Nem nos seus filmes de série B. Os soviéticos seriam assim tão ingénuos, para “comer” qualquer aldrabice americana?

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Notas sobre a dissolução do Parlamento

[O feriado nacional impediu-me de editar em post estas notas que escrevi ontem. Aqui vão elas com um dia de atraso.]

Santana Lopes cai por culpa própria mas também devido aos inúmeros e notáveis inimigos que tem dentro do PSD: Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Cavaco Silva, Miguel Veiga, Marques Mendes, etc. Foram estes que minaram por completo o governo nestes quatro meses. É certo que o fizeram porque convictamente consideram que Santana não tem qualidades para ser primeiro-ministro, mas a verdade é que as questões pessoais pesaram muito. Pacheco Pereira, sobretudo, estava de tal maneira obcecado que já não escrevia sobre mais nada. Para nosso deleite, como é bom de ver!

O Partido Socialista, na minha opinião, portou-se muito bem. Não fez pressão nenhuma sobre o presidente. Santana Lopes não poderá fazer papel de vítima diante de Sócrates.

No meio das reacções à dissolução do Parlamento, a afirmação mais perigosa veio de Pacheco Pereira, defendendo o regresso de Cavaco Silva.
Minha Nossa Senhora do-que-quer-que-seja, protegei-nos!!

A propósito de Cavaco Silva, aqui vai um elogio (que heresia!). O ex-primeiro-ministro mostrou que não perdeu as suas qualidades de animal político. Reagindo ao pedido de Santana Lopes para partilhar com o PSD a candidatura a Belém, não ficou por meias medidas, atirou-se às feras e jogou tudo na queda do governo. Foi esta forma de actuar que o fez ganhar duas maiorias absolutas.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?