quarta-feira, julho 27, 2005

O que é que esta lusa tem?

(o título deste texto esteve para ser "O que é que esta menina do Minho tem?" em alusão à pergunta que o aviador Gago Coutinho formulou uma vez a Carmen Miranda)


Em 5 de Agosto próximo completar-se-ão 50 anos da prematura morte (46 anos) da portuguesa Carmen Miranda. Como não voltarei a postar aqui, pelo menos até à terceira semana de Agosto (nomeadamente por me encontrar fora do país) anteciparia a escrita de algumas linhas dedicadas a esta encantadora senhora que tanto admiro.

Gostaria de começar por recordar um episódio passado comigo.

Em Junho de 2000, leccionando na Secundária de Baião, num fim-de-semana que restei no Marco de Canaveses, na casa do meu colega e amigo Altino Ribeiro, para me refastelar nas praias fluviais do Tâmega, apercebendo-me da proximidade da terra natal de Carmen Miranda, a freguesia de Várzea de Ovelha e Aliviada, no norte do concelho resolvi dar lá um pulo para ver se descobria a casa desse expoente e eterno símbolo da alegria e de toda a folia! Uns anos antes lera com maior atenção a intricada (e muitas vezes madrasta) história da sua vida e uma enorme empatia com a Bituca (nome de infância) despontou de presto. Lembro-me que logo após o almoço saí de carro seguindo orientações do meu colega e uma dezena de minutos depois já perguntava a uma senhora a localização exacta da casa. Curiosamente ela tomou-me como um dos organizadores do concurso musical Carmen Miranda (que afinal em 2000 já não se realizaria) e indicou-me o caminho e a chipala da dita casa. Foi fácil de dar pouco depois com a moradia que se notava ter sido recém-reconstruída. Eu suava por todos os poros, não da ansiedade, mas do tórrido calor que se fazia sentir. Afoito, toquei a campainha do portão. Uma senhora (que não recordo o nome), na casa dos setenta, bastante simpática atendeu-me. Perguntei-lhe, metido a ignorante, se era possível visitar a casa. Ela disse-me que poderia percorrer o exterior e inclusive ver o quarto onde a artista nascera em 1909. Fiquei a saber que a senhora era prima (em 2º grau) da artista e que efectivamente a casa tinha sido reconstruída recentemente e lhe fora adicionado o andar superior. Tirei diversas fotografias mas a senhora expressou-me que não poderia fotografar o interior do quarto. Este afigurava-se relativamente pequeno e singelo e ela afiançou-me que se conservava como no tempo em que Carmem Miranda lá dormira (com os pais obviamente). Esforcei-me por acreditar e assim o mostrar. Não lhe enderecei muitas questões pois denotei logo que ali não descortinaria nenhuma novidade saliente.

Agradeci à senhora e razoavelmente satisfeito fui ter com o meu colega à praia fluvial combinada. Num outro dia visitei o Museu Municipal Carmen Miranda, no Marco, que possui uma estátua da artista na frontaria oferecida por uma associação brasileira em honra da Carmen Miranda. No museu apenas existe uma vitrina com alguns elementos afins à artista (vestuário, postais, medalhas, livros e prospectos, etc.). A senhora do museu contou-me que os brasileiros, intensos admiradores da artista, que vêm de propósito ao Marco ver a sua casa-natal e o (escasso) acervo a ela respeitante que a Câmara conserva (e devia ampliar) que na generalidade sofrem uma imensa decepção. E mesmo este mui modesto museu encontra-se encerrado há vários meses, sem qualquer justificação apontada para tal.

Certamente não percebem porque é que a Carmen Miranda (saiu de Portugal com um ano de idade) que ao longo da sua vida foi reiteradamente compelida a anular a sua cidadania portuguesa e nunca o fez (o seu B.I indicou sempre cidadã portuguesa), pois nunca lhe foi retribuído por Portugal, nem mesmo pela sua terra Natal, o Marco de Canaveses, o devido respeito que ela demonstrou por eles (inclusive envidou múltiplos esforços por visitar Portugal e o Marco mas que devido a compromissos profissionais e à morte prematura nunca pode materializar esse seu sonho).

Ao contrário do que por vezes se afirma a vida de Carmen Miranda não teve nenhumas facilidades. Logo em bebé foi com os pais para o Rio de Janeiro. Os rendimentos modestos dos pais (com seis filhos) obrigaram-na a deixar aos 14 anos a escola e se tornasse balconista e depois costureira. Em 1928 Carmen conheceu o famigerado músico Josué de Barros, que a lançou definitivamente no meio artístico musical. Mais tarde Josué afirmaria que a sua biografia se resumia a três palavras “Eu descobri Carmen”. Dotada de uma bela voz, Carmen beneficiava ainda do seu subtil sotaque português que aprimorava as suas interpretações. Em pouco tempo Cármen tornou-se na cantora mais adorada do Brasil e em 1932 estreou-se no cinema vindo a participar em 19 filmes (sobretudo produções norte-americanas) e adoptou o seu inconfundível estilo : roupas de Baiana, turbantes com frutas e flores, tamancos plataforma, braceletes, os gestos característicos e o seu luminoso sorriso revirando os olhos a preceito. Em 1939 a “Brasilan Bombsheel” foi mesmo viver para Beverly Hills, onde se tornou a primeira sul-americana/portuguesa a ficar registada (mãos e pés) no passeio da fama (Walk of Fame).

Os graves problemas conjugais, o trabalho excessivo que realizava e nunca recusava, alguns insucessos na década de 50 aliados à sua profunda sensibilidade, foram factores que induziram a que em 5 de Agosto de 1955, apenas com 46 anos, sofresse um ataque cardíaco e falecesse. Foi sepultada no Rio de Janeiro, tendo assistido ao seu funeral mais de meio milhão de pessoas.

Mas a sua memória ficou bem viva através do seu perene legado artístico, do eterno ícone e símbolo da alegria, dança, tropicalismo que representa em todo o mundo, das dezenas de clubes de admiradores pelo mundo inteiro, de museus a ela dedicados (como o do Rio de Janeiro), de muitos livros, documentários, páginas web, ….

Apesar das diversas agruras de vida que sofreu e que lhe encurtaram a vida, Carmen Miranda sempre soube transmitir enquanto artista (actriz, cantora,…), mas sobretudo enquanto pessoa uma alegria e uma afeição imensuráveis.

Nos dias seguintes 6 e 9 de Agosto passarão 60 anos do holocausto de Hiroshima e Nagasaki (respectivamente). O meu respeito e consideração para com os que sofreram e os que continuam a sofrer.

Bem, até breve...

Etiquetas: ,


segunda-feira, julho 25, 2005

Sapos e Maoris.

O Alexandre Mano costuma repisar que parece que Portugal está condenado a nunca chegar definitivamente ao fundo desta crise.
Bem com a provável candidatura de Mário Soares à dinastia presidencial penso que batemos no fundo do fundo, ou seja já devemos ter irrompido pelos antípodas adentro, na terra dos Maoris (mais um lugar a revisitar por Soares certamente). Só esta, só esta, candidatura me fará engolir um sapo e votar numa segunda volta em Cavaco Silva.
O PS tanto quer tudo e todos que vai ficar sem nada, e em pouco tempo!
E se Cavaco não ganhasse, sr. Sócrates? Aí é que a porca torce o rabo...

Os despojos da semana.

Com o exponencial aumento da informação (e da pseudo-informação), das fontes e dos órgãos e meios que a veiculam, amplifica-se a utilização abusiva de informação que a nível da ética profissional impõe que se citem as fontes. A cada vez mais profusa imaginação na arte do abuso se fosse colocada ao serviço do trabalho efectivo e não do aparente deleite de surripiar os textos originais, certamente produziria notáveis artigos.

No caso do jornalismo recorre-se aos mais variados subterfúgios para branquear o artigo: ausculta-se de novo a(s) fonte(s) da peça inicial, asculta-se novas fontes, muda-se ligeiramente a perspectiva, faz-se corte e costura: compõe-se notícia numa outra sequência, trunca-se a notícia, adiciona-se mais qualquer coisinha, e já está: um original clone! E muitas vezes é só copy-past, ipsis verbis! Será a direcção do órgão de informação, os outros colegas (jornalistas ou não), ou então os leitores a ajuizar sobre tal conduta em cada caso. Ou então também pode e deve ser (em caso de existência) o Provedor. Em Portugal apenas em 1997 chegou às redacções dos jornais lusos (DN e Público) o ombudsman. Ao JN só em 2004 foi admitida a figura do Provedor, escolhido então o Prof. Manuel Pinto. Obviamente as funções do Provedor são inúmeras e algumas bem complexas e não se restringem à fiscalização das citações.

Ao fim de mais de um ano o habilitado Provedor do JN (que tal como eu também tem como um dos seus hobbies o de coleccionar postais ilustrados) debruçou-se, este Domingo, sobre a problemática das citações. Isto devido a um artigo original publicado no “O Comércio de Guimarães” que tudo indica foi reproduzido com ligeiros retoques no JN dias depois, sem citar as fontes da peça original. O jornalista do JN que assinou a notícia isentou-se das responsabilidades remetendo-as à Direcção, e por sua vez esta engendrou umas desculpas esfarrapadas, que na sua globalidade o Provedor não engoliu. E cito o Provedor “Tanto quanto sabe o Provedor, tratou-se de uma decisão editorial assumida, feita na base de um pressuposto criticável: o de que o facto de o jornal acrescentar algum aspecto novo ou mesmo abordar a história de uma outra perspectiva o iliba de um dever ético de atribuir os créditos e autoria a quem de direito” E é melhor nem falar da composição da fotografia que ilustra a dita notícia copiada, que demonstra a (falta de) consideração que frequentemente o JN demonstra pelos seus leitores e pelos colegas jornalistas.

O mais grave é que esta epidemia plágica continua a disseminar-se a um ritmo vertiginoso em todos os órgãos e meios de comunicação e informação.


domingo, julho 24, 2005

Novos membros

No seu percurso difuso este blogue está outra vez em mudanças. Conta, a partir de hoje, com dois novos membros, o Fernando Pontes e o Nuno Barreiros.


terça-feira, julho 19, 2005

minimalismos...

Li com apreço e gosto o último ´post´ do Mário Azevedo neste blogue mas considero surrealista (e com respeito aos milhões de pessoas que sofreram e pereceram com ele), e mesmo pretensiosismo, a humanidade declarar que já passou por regimes que se possam outorgar de comunistas. Sim, esta humanidade, que se reduzirmos o tempo universal a 24 horas surgiu apenas há 3 segundos, que inventou algo rudimentar e básico como agricultura apenas há menos de 10 mil anos, e onde ainda há poucos séculos os países mais “evoluídos”, os ocidentais, possuíam escravatura humana, sem falar que o século xx foi o mais belicista de sempre e assim continua ; que na realidade o homem ainda nem sabe dizer “tá-tá”, que talvez não alcance capacidade para escapar efectivamente, repito efectivamente, deste sistema solar antes que o Sol se consuma, e que se deslumbra com o brilho que dele irradia, talvez ainda pensando que é ele e todo o primitivo e ignoto universo que gira à sua volta.

Estamos no limiar dos primórdios da exploração de modelos sócio-políticos como o comunismo, o neo-liberalismo, o socialismo, o capitalismo. Se existem desde o século passado práticas políticas em alguns países que se auto-cognominaram de comunismo, uma análise breve permite discernir que das ínfimas conexões que tiveram com o comunismo a mais relevante será a usurpação pérfida que fizeram do seu nome. Declarar que se implantou o comunismo em populações onde só uma minoria entendia de que se trataria na verdade o comunismo, onde as estruturas (o politburo soviético e outras) que coordenariam a nível nacional as outras múltiplas estruturas de âmbito mais local e regional, não coordenaram nada e limitaram-se a instituir regimes autocráticos e baseados na repressão ; onde a distribuição dos meios materiais revela-se profundamente injusto em não conformidade às necessidades, em paralelo às capacidades do cidadão de as exponenciar, para benefício mais do que seu, da riqueza maior que o homem possui, que é própria comunidade, espécie humana ; onde o acesso aos meios culturais e do intelecto era limitada sempre aos mesmos, onde o culto das fácies tiranas sobrepunha-se a milhões de ignotos rostos que serviram argamassa para a base destas empedernidas estátuas se perpetuaram no poder ; repito, declarar que se implantou o comunismo neste moldes é surrealista, ou então é realizar mera propaganda, de juízo primário, demagógico, por suposta conveniência sua.

Como referi os modelos sócio-políticos como o comunismo, o neo-liberalismo, o socialismo, o capitalismo e todos os outros estão ainda no berço. As experiências até hoje efectuadas destes sistemas pelo Homem foram muito ineficazes, elementares e truncadas a todos os níveis (apesar da destruição que muitas vezes semearam) e no futuro este teorias/sistemas politicas irão ser alvo de novas experiências infindamente. Nem mesmo os regimes de extrema-direita do último século o representaram condignamente. No futuro criar-se-ão outras milhões de teorias e sistemas políticos, tal como hoje pululam as seitas religiosas ou os movimentos artísticos: comunismo antropológico, liberalismo cibernético, capitalismo intelectivo, … e tal como na contemporânea moda a fusão de estilos, que todo o zé-povinho pode arriscar, também se estenderá marcadamente à fusão de teorias/sistemas políticos.

A Alemanha de Leste passou no último século por os mais diversos regimes e sistemas políticos: monarquia, republicanismo, fascismo, ditadura, democracia e os supostos comunismos, socialismo e sempre foi mais desenvolvida em praticamente todos os níveis que Portugal. Por vezes parece que interessa mais as pessoas que os sistemas!

O homem não sobreviverá sem a sua espécie, nem se poderá substituir a Ela, aniquilando a sua maior riqueza. Conceitos como competição humana desactualizaram-se céleramente e hoje são falaciosos, quimeras mundanas, meros elementos corpóreos, sem a verdadeira alma Humana.


Coreografias em suspensão!


O Projecto Bandaloop, uma companhia californiana de dança, criada em 1991, sob a direcção artística de Amelia Rudolph realiza performances onde mescla a dança, o desporto, os rituais e a consciência ecológica. Explorando as possibilidades dadas pela escalada e o rappel, são criadas múltiplas coreografias aéreas. O trabalho desenvolvido explora a relação entre o movimento e a gravidade e estimula a consciência dos espectadores para o seu meio envolvente: natural ou humanizado. Desde 1996 a companhia já actuou para cerca de meio milhão de pessoas.


segunda-feira, julho 18, 2005

A propósito da esquerda

O século XIX ocidental foi o século mais desequilibrado de sempre em termos de distribuição de riqueza. A(s) Revolução(ções) Industrial(ais) levou(aram) a um crescimento a pique da produção e consequentemente da riqueza mas apenas uma pequeníssima minoria beneficiou desse crescimento.
O século XX corrigiu esse desequilíbrio, e durante décadas foram promovidas políticas sociais que deram origem a sociedades com um nível de vida incomparavelmente superior às do passado.
Para que isto se tornasse possível foi muito importante o aparecimento dos sindicatos, dos movimentos políticos operários e sobretudo de algumas ideologias políticas como o socialismo o comunismo e o anarquismo. O comunismo revelou-se um autêntico desastre para os países que o experimentaram, mas a verdade é dificilmente os governos ocidentais se teriam mostrado tão sensíveis às reivindicações dos trabalhadores se não fosse o fantasma e a pressão do Bloco Leste sobre o lado ocidental da Europa.
Hoje, que essa pressão já não existe e as classes trabalhadores perderam grande parte do seu poder de persuasão, começa-se a assistir a um recuo dos direitos que os trabalhadores foram adquirindo ao longo dos anos. O reaparecimento em força do neoliberalismo tem aliás muito que ver com isto. A situação agrava-se ainda mais porque se verifica que as sociedades mais liberais são exactamente aquelas que apresentam melhores perfomances económicas.
Perante este cenário vejo com muito pessimismo o papel da esquerda nos próximos tempos. Poder-se-ia dizer que o século XIX foi de direita, o XX, de esquerda, e o XXI será novamente de direita. Como isto é extremamente perigoso, cabe aos ideólogos de esquerda provar que é possível criar uma alternativa ao liberalismo, que é possível promover boas perfomances económicas sem pôr em causa os direitos dos trabalhadores e sem alimentar maiores desequilíbrios sociais. É muito importante contudo que entendam que se não pode confundir direitos com privilégios, para que não se percam em questões secundários em detrimento das essenciais.
Esta luta pelos direitos adquiridos dos funcionários públicos, por exemplo, parece-me ter muito mais que ver com privilégios do que com direitos sociais. Pelo contrário todo o esforço que foi feito para garantir um sistema de saúde gratuito, um sistema de segurança social abrangente e uma instrução básica para todos os cidadãos não pode nunca ser abandonado. Deve aliás haver um empenho ainda maior, pois ainda existem muitas deficiências a este nível. Do mesmo modo, parece-me essencial lutar contra esta tendência para a privatização de certos serviços que o Estado tradicionalmente assume, como a água, o saneamento, a electricidade, os transportes ferroviários, os correios.


domingo, julho 10, 2005

Pavilhão Gimnodesportivo de Caxinas

Esta história é já bastante conhecida em Caxinas. Em 93, no comício de campanha na Escola Primária, Mário de Almeida, perante uma plateia entusiasmada - na qual me encontrava presente -, promete a construção de um Pavilhão Gimnodesportivo.
Eleições ganhas, promessa votada ao silêncio.

Em 97, garantem-me várias pessoas conhecidas, volta a fazer a mesmíssima promessa, no mesmíssimo local.
Eleições ganhas, promessa votada ao silêncio.

Em 2001, para que não houvesse dúvidas, poucas semanas antes das eleições, a Câmara Municipal de Vila do Conde colocou uma enorme faixa nas paredes de uma antiga fábrica, que dizia:
«Futuras Instalações do Pavilhão Gimnodesportivo de Caxinas.»
Eleições ganhas, faixa desaparecida e promessa votada ao silêncio.

Passaram-se entretanto 12 anos e o pavilhão nem vê-lo. Mas Mário de Almeida mostrou que nunca há limites para o descaramento. Para que não pesasse nenhuma suspeita de responsabilidade sobre a edilidade vilacondense, este ano levou as coisas ainda mais longe. Resolveu enviar para o local máquinas para deitar abaixo a fábrica e colocou uma placa que diz qualquer coisa como isto:
«Limpeza da Área das Futuras Instalações do Pavilhão Gimnodesportivo, cujo projecto se encontra dependente da aprovação do Governo.»

«Ah então a culpa do Governo!», terão pensado os caxineiros. «Tá tudo compreendido.»

Entretanto, para que as coisas ficassem preto no branco, o presidente da Câmara de Vila do Conde disse em entrevista ao Público que poderá “avançar com uma acção em Tribunal” se o Estado não cumprir com o protocolo que o compromete a subsidiar a zona desportiva em Caxinas.

É claro que a gente já sabe no que é que isto vai dar. O pavilhão não vai ser construído, a placa e as máquinas vão desaparecer do local sem ninguém saber como nem quando, e a acção contra o Governo… ah, que acção?
Daqui a quatro anos teremos novidades.


sexta-feira, julho 08, 2005

menos peripécias que o costume…

Considero que efectuar o percurso Póvoa de Varzim/Vila do Conde ao Porto de automóvel nunca se revela totalmente normal. Acontece sempre, mas sempre, um outro episódio mais ou menos rocambolesco. Por vezes bem assustador, e noutras alturas de ficar bem abespinhado. Depois de tantas e tantas ocorrências parece que mais nada de original pode acontecer, mas é pura ilusão!

Mas este intróito vem a propósito da minha viagem de hoje. No geral até foi das mais calminhas. Até deu para sorrir, para além do flatulino natal e da pílula do amor do Markl, quando li nas traseiras de um TIR “Não me sigam, também ando perdido!” Se calhar até já li isto noutros veículos, mas que importa?

Já ia na recta da Via Rápida, agora em fila, quando uma perspaltira, num renault clio cinzento claro do início de noventas (já agora, matrícula 40-41-AZ), que ia à minha frente se lembrou de lavar os vidros do carro. Na maior! Ainda por cima aquilo era mais detergente que água. Apitei, dei luzes, apitei! Nada! E a mulherzinha lá continuou a enxofrar o meu carro de detergente. E tinha a outra faixa do IC1 barrada para escapar. No momento só queria recuar um ano atrás e com o meu carro anterior espetar-lhe nas traseiras. Pouco tempo depois coloquei-me paralelo ao carro dela e com o vidro aberto (ela também tinha o do lado dela) chamei-lhe à atenção para o facto. A mulher, já perto dos 50, a fumar, repetia-me “Lá quero saber! Não é nada comigo!” Estive para me colocar à sua frente e dar-lhe a mesma dose, mas entendi não o fazer. Já acho que estou arrependido de não o ter feito! Ou já devo estar conformado, pois todos os meses oferecem-me uma lavagem(conspurcagem) de carro gratutita nestes moldes.

Como disse a jornada de hoje foi das mais tranquilas, sem observar muitas daquelas manobras de frustrados pilotos de rally no asfalto público, ou daqueles que parecem que compraram a carta numa loja chinesa. Mas mesmo nestas pacatas viagens acontece sempre alguma coisinha!

Já agora aproveitava para perguntar se no Porto também já é permitido estacionar em locais que não sejam não contíguos aos semáforos, pois está cada vez mais difícil de encontrar um semáforo no Porto sem um carro estacionado coladinho a ele!


quarta-feira, julho 06, 2005

Fernão de Magalhães: Para Além de Portugal

Apenas em meados do ano passado constatei que tinha sido lançado nos EUA uma nova biografia do português por quem sempre nutri maior admiração (mesclado de uma forte componente emocional): Fernão de Magalhães. O livro é da autoria do norte-americano Laurence Bergreen e apelida-se de "Over the Edge of the World: Magellan’s Terrifying Circumnavigation of the Globe”.

A minha profunda admiração por Magalhães advém não só da elevada importância de que se revestiram as suas acções, mas também de uma considerável empatia que sinto com a personalidade deste lusitano. E do facto, quer queiram, quer não, de ser o português mais conhecido de sempre, a nível internacional, embora muitos o identifiquem como espanhol. Nem quando Cavaco Silva declarou “Acho que este ponte se deveria chamar Vasco da Gama. Penso que seria um acto de justiça para com o grande navegador.”

O livro que foi lançado em hardback em Novembro de 2003 e em paperback cerca de um ano depois, reveste-se de uma enorme qualidade, quer a nível científico, que a nível literário e tem sido um notável best-seller por todo o mundo. O autor refez a viagem de Magalhães de modo a inteirar-se melhor de múltiplos aspectos da expedição, e a determinação para escrever esta livro adveio do simbolismo que Magalhães representa para muito astronautas da Nasa, que Bergreen divisou quando escrevia o livro ulterior sobre a exploração de Marte pela Nasa.

A Bertrand Editora lançou há dias a tradução deste livro :"Fernão de Magalhães: Para Além do Fim do Mundo". Foi uma forma de eu expiar esta editora do mega sucesso que tem vindo a ser obtido com as vendas dos livros do Dan Brown.

Pela minha indisponibilidade tempo, sobretudo no último ano, ainda só li alguns capítulos da versão original, e que muito me agradaram.

Recordo que já em 1938 Stefan Zweig escreveu Conqueror of the Seas: The Story of Magellan. Em 1977 W. D. Brownlee escreveu “The First Ships around the World” e em 1988 Richard Humble escreveu “The Voyage of Magellan”.

Não vou tecer considerações sobre a prodigiosa viagem de três anos, que aportou em Sevilha a 7 de Setembro de 1522. Precisamente três séculos antes da D. Pedro declarar no Ipiranga o Brasil independente. Outras bandeiras esvoaçaram ao vento deliberadamente nesses dias, sob vultos lusitanos. Apenas considero que a primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, apesar da sua enorme importância económica, política e estratégica, a nível de contrariedades e obstáculos; foi um passeio comparada com a de Fernão de Magalhães.

Artigo similar na minha estreia, a ´postar´, no recente e bem-vindo fórum “leituramania”.


sexta-feira, julho 01, 2005

Fim do Ciberdúvidas?!

Quero acreditar que esta notícia do encerramento para Setembro do Ciberdúvidas on-line não se vai confirmar. Este é um dos melhores e mais úteis sites que existe em Portugal, verdadeiro serviço público privado, oferecido gratuitamente.
Nos últimos três anos tenho visitado o site diariamente, lendo os esclarecimentos dos colaboradores em resposta às dúvidas dos visitantes, pesquisando o arquivo do site, colocando questões e acompanhando as controvérsias da nossa língua. Ao longo deste tempo, consegui não só tirar inúmeras dúvidas (sempre em tempo útil) como ainda corrigir falhas que cometia por desconhecimento.
Como eu, deve haver milhares de pessoas a visitá-lo, a melhorar gradualmente os seus conhecimentos de português. O seu encerramento significaria por isso uma enorme perda.
Espero sinceramente que haja bom senso por parte do Estado português, que este compreenda que o Ciberdúvidas é um serviço relativamente barato e com resultados garantidos.
Claro que já vão pensar: «Lá está este a pedinchar o dinheiro dos nossos impostos!» Que querem que eu diga, neste país onde todos criticam o excessivo peso do Estado e ninguém se adianta para nada que seja serviço público, como este exemplo bem o demonstra?


This page is powered by Blogger. Isn't yours?