quinta-feira, junho 30, 2005

Música

A Beatriz Seabra do poesis publica enviou-me mais este desafio blogosférico.
1) tamanho total dos arquivos no meu computador? cerca de 20 GB.
2) último cd que comprei: (para oferecer) Pink Floyd: “A Saucerful of Secrets”.
3) tema que estou a escutar agora: Antony and The Johnsons: “Hope There’s Someone”.
4) cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim (é uma crueldade esta pergunta…): Joy Division: “Atmosphere”; Nick Cave and The Bad Seeds: “Your Funeral My Trial”; Tindersticks: “Let’s Pretend”; Portishead: “Roads”; Amália: “Gaivota”.
5) lanço o testemunho a outros dois bloggers: Carla, do Psiconotícias, e Fernando Pontes, do Um Par de Botas.


sábado, junho 25, 2005

Já está a descambar...

Uma pessoa que conheço disse-me textualmente, do contacto obtido em reuniões de trabalho, e perdoem-me o vernáculo, que Maria de Lurdes Rodrigues, a nossa Ministra da Educação, tem "culhões como os de um boi", e é "mal-criada, arrogante e autoritária". Se quisermos pôr assim, temos uma pessoa que, por um lado, tem a coragem para resolver problemas, e são muitos, que afligem a Educação, mas por outro, diálogo e consenso são ideias que não vão constar da agenda.
Mas daí até pedir listas de nomes dos professores que fizeram greve já é demasiado. Mas o que é que vai fazer o Ministério com a lista? Fazer telefonemas anónimos? Convocar a GNR para os arrastar para as escolas à força na próxima greve? Todas as teorias são válidas. Mas não é por aí que as coisas vão ao sítio.

As surpresas das autárquicas

Nas sondagens apresentadas no Expresso de hoje, uma boa e uma péssima notícia. A boa é a previsível derrota de Carrilho, que representa o pior da esquerda: o pedantismo. Se as sondagens se confirmarem é o seu fim, desaparece de vez da cena política, tal como Santana.
A péssima é a confirmação do avanço de Ferreira Torres em Amarante. Já me tinham dito que as sondagens lhe estavam favoráveis, mas custou-me muito a acreditar. É difícil de aceitar que o eleitorado seja tão estúpido!

terça-feira, junho 21, 2005

O homem é Engenheiro

Em época de Exames Nacionais e de todo o folclore que o cerca, foi bom ler a entrevista de Pedro Guedes de Oliveira no Público de hoje. A passagem que quero referir é: "(...) Passámos [o Ensino Superior] os últimos anos a dizer que a culpa era do secundário. Que os alunos saíam mal preparados. Mas, em compensação, acho que temos feito muito pouco para ajudar a resolver esse problema.(...) E o mais importante não é o objectivo da avaliação, mas o da aprendizagem. Temos de perceber como é que vamos ensinar os miúdos melhor. Não como os examinar melhor".
Isto toca em dois pontos que já me aborrecem há anos. O primeiro é que, sendo o Ensino Superior aquele que inquestionavelmente tem o maior capital de confiança junto da opinião pública, e no qual mais se tem investido nos últimos 15 anos, é também, sem dúvida, o mais desorganizado e onde menos se trabalha no ensino propriamente dito. Por outras vezes, em oposição ao primário, ao básico e ao secundário, é onde menos se ensina. E nada foi feito para que o deixasse de ser.
O segundo é a própria questão da avaliação, que foi exacerbada a tal ponto que parece que não se faz mais nada de importante nas escolas a não ser Exames. E é pena, mas é cada vez mais verdade.

segunda-feira, junho 20, 2005

Jornais para milhões de leitores.

A World Association of Newspapers publicou recentemente uma lista dos jornais com maior número de leitores no mundo. Os cinco primeiros são japoneses, bem como o 7º e 10º lugar. Pude logo constatar a ausência da Marca (Espanha), o que me levanta algumas dúvidas sobre esta lista.

Também lista os jornais mais antigos do mundo (ainda em circulação). Pensava ( tal como surge documentado na maioria dos casos) que era o Haarlems Dagblad, holandês, mas afinal parece ser um sueco.

Bibliotecas em Portugal

Casa di Libri.


Livio De Marchi, um artista plástico italiano, que privilegia a madeira como matéria de trabalho, construiu uma moradia em Tambre D´Alpago (na região montanhosa dos dolomitas italianos), toda ela em madeira, que intitulou Casa di Libri pela alusão constante aos livros que nela se patenteia.


quinta-feira, junho 16, 2005

Zé Manel

Olha, olha... Aquilo lá em Bruxelas estava a correr tão bem... Bastou chegar lá o nosso Zé Manel e a vida da Comissão Europeia começou logo a andar pra trás.
Ao menos neste particular andamos à frente da Europa. Descobrimos antes que este gajo, bem feitas as contas, não sabe fazer nada de jeito.

Vamos à greve, pois então...

Ainda estive uns dias a pensar se voltava ao assunto da Função Pública... Afinal sou parte interessada e além disso há aqui um difuso que tem ataques de urticária sempre que se fala de funcionários públicos. Mas cá vai.
Primeiro para dizer que concordo com a maior parte das medidas. Não há razões objectivas para que o sector privado e público tenham idades de aposentação diferentes, ou que não façam contribuições para a mesma entidade de Segurança Social.
Mas, voltando à ideia de meritocracia que Campos e Cunha defende, onde é que está o mérito se são todos nivelados por baixo? Congelar a progressão na carreira é um disparate. Penaliza os bons e os maus funcionários.
Bem sei que o objectivo é poupar uns trocos. Mas como já disse, estas medidas isoladas mostram que o Governo começou pelo mais fácil, que é bater a torto e a direito nos funcionários públicos, que ao fim e ao cabo são os culpados de todo o mau que acontece em Portugal. Só não têm culpa da seca, mas se calhar lá chegamos.

terça-feira, junho 14, 2005

O funeral de Cunhal

Pacheco Pereira tem razão quando afirma que «o funeral de Álvaro Cunhal vai ser a maior manifestação comunista das últimas décadas na Europa. Não em Portugal, mas na Europa.»
Vai ser gigantesca, arrepiante. Felizes o que lá estiverem.
Como eu gostaria de ser um deles!


Cunhal


Ontem não tive oportunidade de deixar aqui a minha sentida homenagem a Álvaro Cunhal, que é, sem dúvida, a figura política mais fascinante do Portugal contemporâneo, aquela que mais admiro. Um homem de fortes convicções e, ao mesmo tempo, de grande sensibilidade e cultura. Um político impossível nos dias de hoje, feito na clandestinidade e na prisão.
A utopia perdeu um grande combatente, mas a história não se esquecerá dele.

Sobre o comunismo gostava de falar mais tarde, pois é um tema que me é muito caro.

segunda-feira, junho 13, 2005

O ideal comunista é o novo rock'n'roll

Como era de esperar, hoje valia tudo para falar de Álvaro Cunhal. E dei por mim a ver o Telejornal da TVI, o que já de si é notícia pela raridade. No entanto, pelo que conheço de televisão, os outros não terão sido muito diferentes.
O festival de banalidades foi o habitual, mas houve duas que chamaram a atenção.
A primeira, pela pura falta de senso, passava no rodapé: "[Álvaro Cunhal], filho de mãe católica e pai advogado...". O catolicismo tornou-se profissão ou o direito confissão de fé?!?
A segunda, repetida até à exaustão, era que Cunhal "... permaneceu comunista mesmo quando o ideal comunista morreu na União Soviética..." e etc.
Mesmo dando de barato que um ideal pode morrer (o que não me parece possível pela própria definição de ideal), e sem querer entrar em discussões ideológicas, como é que o falhanço de um modelo adoptado num ou mais casos pode ser traduzido para a fracasso do molde? Será que eu também posso olhar para o Terceiro Mundo e dizer que o ideal neo-liberal falhou (outros dirão, ironicamente que, bem pelo contrário, ao olhar para o 3º Mundo temos a certeza que trinfou)?
Tanto quanto me lembro dos tempos em que eu ainda discutia e pensava em ideologias, o ideal comunista baseia-se na solidariedade. Vai buscar a sua força na ideia de que por todos deve ser repartida a riqueza gerada pelos meios de produção e pelo capital e que a ninguém deve ser negada uma cota igual à do seu vizinho.
Bem podem os neo-liberais do mundo inteiro gritarem a plenos pulmões que o ideal morreu, mas enquanto existir quem acredite numa construção social mais solidária, ele estará bem vivo.
Até amanhã, camaradas.

Álvaro Cunhal

Numa época em que o relativismo leva tudo de torrente, é triste sabermos que morreu um homem com convicções. Para mim será sempre esta a imagem de Álvaro Cunhal: uma pessoa que viveu, lutou, ganhou e perdeu pela sua cabeça, e nunca se curvou. Se estas convicções eram boas, más, correctas ou erróneas, pouco importa; eram dele. E, valha-nos isso, ainda é objecto que não se pode comprar ou vender.

sábado, junho 11, 2005

Um concerto a dez vozes

Alguém sabe responder o que leva uma pessoa a sair de casa, dirigir-se a um bar, pagar um bilhete de 7€ para ver um concerto e depois passar todo o tempo de costas para o palco, a falar em voz alta, a mandar bocas e a rir?
Aconteceu ontem, n'O Meu Mercedes É Maior Que O Teu.
Durante o concerto dos A hawk and a hacksaw (que comento no Caixa de Música), um grupo de 7 ou 8 pessoas decidiram ser uma das atracções da noite. Se calhar tristes interiormente por terem falhado um episódio da telenovela da TVI ou dos Batanetes, vingaram-se nas poucas pessoas que queriam ouvir música.
Eu já estava habituado a cenas destas nos festivais de verão, em que uma fatia cada vez maior do público não gosta de música nem quer saber dos concertos rigorosamente para nada a não ser como ponto de encontro, mas agora a praga espalhou-se para todo e qualquer tipo de espectáculo, quer seja música, cinema ou outro.
Se me permitem, vou descarregar o resto do ódio que ainda me agita transcrevendo um post que enviei a mailing lista dos Mão Morta em dezembro passado:
"Esta discussão já percorreu a lista há uns tempos com outro tom: era a propósito de um concerto dos Mão Morta em que um indivíduo estava constantemente aos berros, durante as músicas e nos intervalos destas.
Eu já estive nos dois lados e falo da minha experiência:
Como espectador, cheguei à conclusão que os chavalos vão aos concertos para (por ordem de importância):
1. Beber umas cervejas.
2. Fumar.
3. Falar ao telemóvel e mandar mensagens.
4. Conversar.
5. Ter assunto para o resto da semana (estilo: então, foste ao concerto dos XXX? É pá, os gajos não valem nada, etc.).
6. Mostrar a roupinha de marca.
7. Combinar o programa para o resto da noite.
8. Eventualmente, e se não chatear muito, ouvir a música e olhar para o palco.
Duvidam? No próximo concerto dos Radiohead, dEUS ou outros que tais encontramo-nos e digam-me se não tenho razão.
Uma passagem curiosa: quando fui ver os Mogwai ao Hard Club, em Fevereiro, estavam dois chavalos (uns 18 anos) atrás de mim que não se calaram um segundo que fosse durante o concerto. Mudei de lugar, mas depois estive a observá-los até ao final do concerto e eles estavam sempre a falar e a olhar para o telemóvel. Um deles até estava de costas para o palco. Pois bem, quando o concerto acabou, calaram-se (!!!), estiveram ali mais uns 10 minutos e foram-se embora.
Do lado de cima do palco, posso vos dizer que no nosso último concerto, nas músicas mais calmas eu ouvia mais o pessoal a falar que a música. Foi porreiro? Apetecia-me descer e desancá-los, mas era!"

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