terça-feira, novembro 30, 2004
Universidade Portucalense
O que está a acontecer à Portucalense é o resultado previsível da política errada desta instituição. Tal como (quase?) todas as universidades particulares deste país, a Portucalense alimentou-se das falhas do “mercado” universitário público dos finais dos anos 80 e da década de 90, numa altura em que a massificação escolar atingia finalmente o ensino superior. Agora que a tendência se alterou e há um redução drástica de alunos a ingressar neste ensino e um cada vez maior número de universidades públicas, a UP está em queda. Os números são elucidativos, nos últimos anos a UP passou de 4500 para 2500 alunos. E as coisas não vão ficar por aqui. O que se passa é que a UP (e as outras universidades privadas) não tem nada de especial para dar aos alunos agora que oferta é maior que a procura. Cursos de qualidade, inegavelmente. Mas não melhores, nem diferentes, muito menos inovadores. Para os alunos as contas são fáceis de fazer, têm de escolher entre pagar cerca de 800 euros por ano ou mais de 3000!
A sociedade civil (a começar pelos empresários) que tanto critica o ensino público e que tanto se queixa que os cursos não estão adaptados à vida profissional, chamada a fazer melhor, limitou-se a trabalho de decalque. Os mesmos cursos, as mesmas disciplinas, os mesmos métodos, até os mesmos professores. Pior do que isso, limitou-se a oferecer o que já havia em excesso, cursos de história, direito, gestão, relações internacionais, etc.
A sociedade civil (a começar pelos empresários) que tanto critica o ensino público e que tanto se queixa que os cursos não estão adaptados à vida profissional, chamada a fazer melhor, limitou-se a trabalho de decalque. Os mesmos cursos, as mesmas disciplinas, os mesmos métodos, até os mesmos professores. Pior do que isso, limitou-se a oferecer o que já havia em excesso, cursos de história, direito, gestão, relações internacionais, etc.
segunda-feira, novembro 29, 2004
Dois novos blogues
Aqui vai um pouco de publicidade. Dois amigos meus ficaram roídos de inveja por eu ter um blogue e resolveram criar também cada um o seu! Tomainde!!!
O Fernando Vilarinho, como não faz mais nada na vida senão vasculhar revistas práticas para ler artigos sobre os assuntos mais inimagináveis, resolveu brindar-nos com Dicas práticas… prá vida! Não vale a pena tentar descobrir onde raio ele vai buscar estas coisas…
O Alexandre Mano criou um blogue exclusivamente de música. Garantido a 100% o bom gosto e muitas novidades todas as semanas. A saber, Caixa de Música.
O Fernando Vilarinho, como não faz mais nada na vida senão vasculhar revistas práticas para ler artigos sobre os assuntos mais inimagináveis, resolveu brindar-nos com Dicas práticas… prá vida! Não vale a pena tentar descobrir onde raio ele vai buscar estas coisas…
O Alexandre Mano criou um blogue exclusivamente de música. Garantido a 100% o bom gosto e muitas novidades todas as semanas. A saber, Caixa de Música.
quinta-feira, novembro 25, 2004
!!!!
Pronto, é oficial, o valter deixa a Quasi. Abandona-nos por um reino povoado de bichos!
Entrem no desgoverno dos sonhos
Entrem no desgoverno dos sonhos
quarta-feira, novembro 24, 2004
Frei Geraldo
Um fim-de-semana feliz, preenchido com a sabedoria do Frei Geraldo. Sexta-feira à noite, na Biblioteca de Vila do Conde, a ouvi-lo falar da Bíblia, livro de história e religião; sábado, ao início da tarde, no Museu Guerra Junqueiro, a acompanhá-lo no Natal dos artistas.
Lembrei-me muito de como andava com saudades de assistir às suas lições na Faculdade de Letras do Porto. De o ver a deambular pelas salas de aula, de sorriso estampado no rosto e olhar difuso, a contar-nos dos egípcios e dos sumérios, dos hebreus e dos fenícios, no seu jeito infantil de andar espantado com as civilizações antigas.
Lembrei-me muito de como andava com saudades de assistir às suas lições na Faculdade de Letras do Porto. De o ver a deambular pelas salas de aula, de sorriso estampado no rosto e olhar difuso, a contar-nos dos egípcios e dos sumérios, dos hebreus e dos fenícios, no seu jeito infantil de andar espantado com as civilizações antigas.
sexta-feira, novembro 19, 2004
Olhem para mim
O segundo filme de Agnès Jaoui, «Olhem para mim», não parte de uma ideia tão genial como «O gosto dos outros», mas tem muitas das virtudes deste. Pequenas histórias quotidianas cheias de humor e tensão em redor de personagens singulares e desentendidas. Não é brilhante mas vale bem a pena ver.
quinta-feira, novembro 18, 2004
Ainda o edifício do CCO
A quem se interessar pela questão do edifício do CCO aconselho a leitura deste post do Vila do Conde Quasi Diário. Pelos vistos o Jornal Terras do Ave pegou no assunto e pediu explicações à Câmara. siX comenta os esclarecimentos que foram dados.
quarta-feira, novembro 17, 2004
Jerónimo de Sousa????
Tenho cada vez mais dificuldade em entender o Partido Comunista Português. A escolha de Jerónimo de Sousa para líder do partido só pode ser entendida como uma tentativa de suicídio. Ele tem todos os defeitos de Carlos Carvalhas multiplicados por mil e nenhuma das sua virtudes.
Gostava de saber que eleitorado pensam eles que conseguem conquistar com o novo secretário-geral.
Gostava de saber que eleitorado pensam eles que conseguem conquistar com o novo secretário-geral.
terça-feira, novembro 16, 2004
Palácio dos Balcões
Vale a pena seguir a sugestão de Rui Tavares do Barnabé e visitar o Palácio dos Balcões, um blogue muito interessante que surgiu este fim-de-semana. João Delgado, o autor do blogue, faz muitas incursões pela história - sobretudo a da Grécia Antiga -, com citações e referências a textos antigos, procurando estabelecer paralelismos entre passado e presente.
domingo, novembro 14, 2004
Arafat
Podem apontar-se muitos defeitos a Arafat, o que não se pode negar é que dedicou a sua vida por uma causa justa: a libertação do povo palestiniano (ou palestino, como muitos defendem). Se é certo que muitas vezes utilizou métodos errados, é incorrecto dizer-se, como o têm feito muitos analistas e bloguistas, que nunca soube fazer a paz. É preciso recordar que foram os israelitas, e não Arafat, que puseram em causa os acordos que mais perto estiveram de obter sucesso, assinados em 1993, e que deram o Prémio Nobel a Arafat, Rabin e Shimon Peres. Foram os israelitas que, depois do assassinato de Rabin por um extremista judeu, resolveram pôr em causa todo o processo de paz, elegendo Benjamin Netanyahu para primeiro-ministro, um opositor dos Acordos de Oslo que imediatamente tratou de inviabilizar os compromissos assumidos. E é preciso recordar o que disse Ariel Sharon, o actual primeiro-ministro, em relação a estes acordos: «a maior desgraça que se abateu sobre Israel».
Os detractores de Arafat gostam de referir Camp David, mas esquecem-se que Arafat aceitou nestas negociações compromissos que nenhum líder árabe até então admitira: aceitou a anexação de territórios da Cisjordânia para acomodar colonatos, ilegais pela lei internacional; aceitou a soberania israelita sobre bairros judaicos de Jerusalém Leste (que não faziam parte de Israel antes da guerra de 1967). O que Arafat não aceitou foi a solução vaga dada por Barak ao direito de retorno dos refugiados palestinianos.
Mas não há duvida de que o fracasso de Camp David foi realmente muito nefasto para Arafat, pois permitiu de certa forma a chegada ao poder de Ariel Sharon. A partir de então tudo se desmoronou. Sharon, que foi responsável por um massacre de dezenas de milhares de palestinianos que ocorreu no Líbano nos anos 80; que despoletou a segunda Intifada quando, num acto de provocação, visitou o Monte do Templo, em Jerusalém Leste; que desde que chegou ao poder não fez outra coisa senão bombardeamentos e destruições; que confinou Arafat ao seu quartel-general em Ramallah e desmantelou as estruturas da Autoridade Palestiniana, enfraquecendo-a perante os grupos mais radicais dos palestinianos, conseguiu convencer o governo de Bush a excluir Arafat das negociações, votando-o ao ostracismo.
Este, que foi durante muitos anos o representante dos movimentos mais moderados dos palestinianos, acabou assim por morrer no momento em que a sua posição se encontrava mais enfraquecida, refém da política agressiva de Sharon.
Os próximos anos dirão se ele era ou não o principal entrave à paz. Pelo menos agora os israelitas e os americanos deixaram de ter um alibi para impedir a formação de uma Estado Palestiniano.
Os detractores de Arafat gostam de referir Camp David, mas esquecem-se que Arafat aceitou nestas negociações compromissos que nenhum líder árabe até então admitira: aceitou a anexação de territórios da Cisjordânia para acomodar colonatos, ilegais pela lei internacional; aceitou a soberania israelita sobre bairros judaicos de Jerusalém Leste (que não faziam parte de Israel antes da guerra de 1967). O que Arafat não aceitou foi a solução vaga dada por Barak ao direito de retorno dos refugiados palestinianos.
Mas não há duvida de que o fracasso de Camp David foi realmente muito nefasto para Arafat, pois permitiu de certa forma a chegada ao poder de Ariel Sharon. A partir de então tudo se desmoronou. Sharon, que foi responsável por um massacre de dezenas de milhares de palestinianos que ocorreu no Líbano nos anos 80; que despoletou a segunda Intifada quando, num acto de provocação, visitou o Monte do Templo, em Jerusalém Leste; que desde que chegou ao poder não fez outra coisa senão bombardeamentos e destruições; que confinou Arafat ao seu quartel-general em Ramallah e desmantelou as estruturas da Autoridade Palestiniana, enfraquecendo-a perante os grupos mais radicais dos palestinianos, conseguiu convencer o governo de Bush a excluir Arafat das negociações, votando-o ao ostracismo.
Este, que foi durante muitos anos o representante dos movimentos mais moderados dos palestinianos, acabou assim por morrer no momento em que a sua posição se encontrava mais enfraquecida, refém da política agressiva de Sharon.
Os próximos anos dirão se ele era ou não o principal entrave à paz. Pelo menos agora os israelitas e os americanos deixaram de ter um alibi para impedir a formação de uma Estado Palestiniano.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Edifício Círculo Católico Operários
O poder autárquico representa o que de pior existe na política portuguesa. Sem a pressão que os media exercem sobre os órgãos centrais, e tendo a oportunidade de se perpetuar no poder por dezenas de anos, os edis camarários deixam-se envolver pela corrupção, governando com prepotência e nepotismo. O presidente da câmara de Vila do Conde, Mário de Almeida, até não é mau de todo, já que, apesar dos inúmeros defeitos que tem, consegue ter algumas virtudes - sobretudo ao nível das preocupações urbanísticas -, o que não deixa de ser digno de registo no universo autárquico. Vila do Conde é de longe a cidade mais bonita do distrito do Porto (exceptuando a própria cidade do Porto) e a única que se conseguiu proteger desta corrida desenfreada e caótica à construção vertical. Tirando este facto, Mário de Almeida revela todos os vícios de quem está no poder há cerca de vinte anos, passando por cima de tudo e de todos e cortando cerce qualquer manifestação de oposição. Além disso, o voto popular deixa-o em tal situação de impunidade que não tem problemas em tomar as medidas mais controversas possíveis. Uma delas foi a destruição, há uns anos, sem contemplações nem discussão pública, do antigo edifício do Círculo Católico Operários, classificado como monumento nacional pelo IPA. O Vila do Conde Quasi Diário recuperou este tema, colocando este post para que todos os vilacondenses possam fazer o seu julgamento.
o nosso reino
hoje, às vinte e uma, na fnac Colombo, valter hugo mãe lança o nosso reino, um dos melhores livros da história da literatura portuguesa. sim, eu sei que sou suspeito, mas aqui fica a minha opinião segura, para que conste. e mais não digo que o reino espera que cheguem inocentes.
mas não atrasados.
mas não atrasados.
segunda-feira, novembro 08, 2004
SOS enxaqueca
Serão assim tão incompreensíveis os mecanismos do cérebro? Ando há três dias com uma enxaqueca a arrebentar-me com os miolos, e não há elaboração química que me valha!
quinta-feira, novembro 04, 2004
O próximo Papa?
O blogue Previsões vaticina que o próximo Papa será o cardeal Cláudio Hummes, do arcebispado de São Paulo, Brasil. A ter em conta já que este blogue ainda não falhou uma.
As eleições americanas mais a frio
As eleições nos EUA tiveram resultados inequívocos. Os americanos ratificaram a política agressiva de Bush e deram-lhe carta branca para que continue a sua cruzada contra o terrorismo, unilateralmente se for preciso.
A Europa precisa urgentemente de desenvolver uma política de defesa autónoma, não podemos ficar dependentes de um país que acha que pode fazer o que lhe dá na real gana sem nos auscultar.
P.S. Tal como Daniel Oliveira do Barnabé chamava a atenção ontem, é muito interessante ver como votaram os que realmente foram afectados pelo atentado de 11 de Setembro: New York e New Jersey.
Tentar encontrar explicações da política externa do governo de Bush neste atentado é omitir muita coisa.
A Europa precisa urgentemente de desenvolver uma política de defesa autónoma, não podemos ficar dependentes de um país que acha que pode fazer o que lhe dá na real gana sem nos auscultar.
P.S. Tal como Daniel Oliveira do Barnabé chamava a atenção ontem, é muito interessante ver como votaram os que realmente foram afectados pelo atentado de 11 de Setembro: New York e New Jersey.
Tentar encontrar explicações da política externa do governo de Bush neste atentado é omitir muita coisa.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Ressaca
Ando meio zonzo, pareço um fantasma. Às poucas horas de sono da última noite junta-se o desapontamento pelos resultados americanos. É difícil saber perder quando temos a certeza absoluta de que estamos no lado certo. Hoje não consegui ler as notícias on-line, evitei os blogues políticos, e à noite vou dar uma volta para espairecer um pouco e defender-me dos noticiários.
A América de Bush
Não é possível levar a sério um país que elege por duas vezes para seu presidente George W. Bush, que representa, em minha opinião, tudo o que de errado pode existir no ser humano: o puritanismo, moralismo, a ignorância, a estupidez, a incompetência, a arrogância, o belicismo.
É certo que uma parte considerável dos americanos não votou nele, mas a América que predomina é a que o reelegeu. A América do cristianismo pacóvio (fala um convicto católico), obcecada pelos valores da família, do trabalho e da segurança, mas indiferente aos desprotegidos e desdenhosa das minorias; a América prepotente, que desconhece o resto do mundo, que se isola, e que apenas intervém unilateralmente, desprezando a comunidade internacional; a América que se acha escolhida por Deus. Enfim a América que gosta de ter um presidente ignorante e pouco inteligente porque se sente identificada com ele.
É certo que uma parte considerável dos americanos não votou nele, mas a América que predomina é a que o reelegeu. A América do cristianismo pacóvio (fala um convicto católico), obcecada pelos valores da família, do trabalho e da segurança, mas indiferente aos desprotegidos e desdenhosa das minorias; a América prepotente, que desconhece o resto do mundo, que se isola, e que apenas intervém unilateralmente, desprezando a comunidade internacional; a América que se acha escolhida por Deus. Enfim a América que gosta de ter um presidente ignorante e pouco inteligente porque se sente identificada com ele.
segunda-feira, novembro 01, 2004
Homo floresiensis
Recentes descobertas arqueológicas na pequena ilha das Flores da Indonésia puseram os cientistas a sonhar. Pelos vistos, estas descobertas vieram revelar que uma nova espécie de hominídeo, denominado de «Floresienses», com características semelhantes ao «Homo erectus», desapareceu apenas há 12 mil anos, facto só por si espantoso, já que isso significa que durante dezenas de milhares de anos o «Homo Sapiens» foi contemporâneo de uma outra espécie de hominídeo.
Alguns investigadores, contudo, não ficaram satisfeitos, e cruzando estas descobertas com histórias dos populares da ilha, que falam de homenzinhos muito peludos de um metro de altura que viveram na ilha até há 150 anos, conhecidos como «ebu gogos» («avozinhas que comem tudo»), consideram a possibilidade deste hominídeo ter sobrevivido até ao século XIX, e, hipótese delirante(?), de ele porventura ainda existir em zonas remotas da selva de uma outra ilha da Indonésia, Sumatra.
Tendo em conta que o «Homo erectus» desapareceu há cerca de 300 mil anos, esta hipótese parece conduzir-nos para o mundo da ficção científica, para um qualquer argumento dos filmes de Steven Spielberg.
Como é óbvio, compreendo muito bem os investigadores e também adorava que este sonho se pudesse tornar realidade. Mas não seria pedir de mais?
Alguns investigadores, contudo, não ficaram satisfeitos, e cruzando estas descobertas com histórias dos populares da ilha, que falam de homenzinhos muito peludos de um metro de altura que viveram na ilha até há 150 anos, conhecidos como «ebu gogos» («avozinhas que comem tudo»), consideram a possibilidade deste hominídeo ter sobrevivido até ao século XIX, e, hipótese delirante(?), de ele porventura ainda existir em zonas remotas da selva de uma outra ilha da Indonésia, Sumatra.
Tendo em conta que o «Homo erectus» desapareceu há cerca de 300 mil anos, esta hipótese parece conduzir-nos para o mundo da ficção científica, para um qualquer argumento dos filmes de Steven Spielberg.
Como é óbvio, compreendo muito bem os investigadores e também adorava que este sonho se pudesse tornar realidade. Mas não seria pedir de mais?